quinta-feira, 22 de maio de 2014

A necessidade do MeuTutor

O texto que segue é uma brevíssima reflexão sobre a necessidade de ferramentas como o MeuTutor, fazendo uma ligação de como a problemática da educação é resolvida hoje em dia e como o avanço da complexidade do mundo torna necessária uma mudança nesta resolução.

Começo resumindo como a complexidade no mundo é abordada no artigo Complexity Rising. Segundo o autor, Yaneer Bar-Yam, o mundo aumenta sua complexidade com o tempo, e para lidar com esta complexidade, bolamos hierarquias onde seus níveis possuem responsabilidades diferentes. O peão obedece ao gerente, que obedece ao diretor. Esta hierarquia cresce na medida em que cada nível não consegue gerir de maneira eficiente toda a complexidade abaixo dele. Esta hierarquia gerencia mecanismos como a linha de montagem, onde produtos são construídos em série, de maneira a minimizar custos e tempo de produção. A sociedade foi se moldando as estas hierarquias e a linha de montagem passou a ser o centro deste sistema cultural, sendo aplicada em diversas funções da nossa sociedade, como na educação. O educador Ken Robinson explica este fenômeno logo abaixo. Volto com comentários após o vídeo.



Pode-se concluir que a nossa educação é uma linha de montagem de alunos idênticos, onde o mesmo conteúdo é ensinado a todos. É exigida certa média das notas em avaliações realizadas durante o ano. Para passar de ano, cada aluno acaba se esforçando somente para tirar a "nota de passar". O sistema é nivelado por baixo.

Mas isto vinha funcionando muito bem, pois nunca produzimos tanto. Na última centena de anos, este processo educacional vem entregando os trabalhadores necessários à indústria. São pessoas ultra especializadas em determinada função demandada pelas empresas. No entanto, como alerta Bar-Yam, a complexidade da sociedade continua crescendo e a hierarquia parece não mais funcionar. Alunos estão saindo da escola sem saber ler, nem fazer conta. Podemos encontrar analfabetos funcionais cursando o nível superior de ensino. Graças à complexidade da sociedade atual, não estamos conseguindo gerenciar tanta gente com o nosso velho esquema hierárquico. A educação está piorando, e se ela piora, nosso futuro piora. O pessimismo se alastra.

E isto vem acontecendo logo quando precisamos de pessoas que consigam trabalhar de forma colaborativa e não hierárquica. O aplicativo Waze é um exemplo de como a forma colaborativa de agir consegue atacar um problema comum a todas as grandes cidades: o trânsito. Pela contribuição de seus usuários, é construído um mapa que pode ser consultado para tomar a decisão de qual a melhor rota a ser seguida.

Mas como a escola, preparada há décadas para formar indivíduos que supram hierarquias, conseguirá formar pessoas que saibam utilizar sua diversidade de forma colaborativa, na ausência de uma hierarquia? É aí que o MeuTutor pode fazer a diferença. No MeuTutor, os estudantes são inseridos em um ambiente personalizado e, em um futuro próximo, colaborativo de aprendizagem. O estudante escolhe o que vai estudar, e o sistema o guia por uma sequencia de recursos educacionais que buscam testá-lo, para em seguida sanar seus pontos fracos. Simulados testam se seu desempenho é suficiente para passar no curso desejado, utilizando a mesma metodologia de correção das questões do Enem, a TRI. Em pouco tempo de uso do MeuTutor, o estudante conhece seus pontos fracos e fortes e qual estratégia de estudo deve seguir.

E o melhor ainda está por vir. O MeuTutor logo possibilitará o estudo em grupos, estimulando a aprendizagem colaborativa. Os estudantes deverão cooperar entre si para passar pelos desafios propostos pelo sistema. Desta forma, os estudantes poderão competir para conhecer quem coopera mais. 

O aumento da complexidade no mundo está causando uma revolução. O MeuTutor é uma tentativa de colaboração tecnológica para que a educação possa se ajustar à esta revolução na sociedade. Uma revolução silenciosa, mas que vem mudando a forma como aprendemos e trabalhamos.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Esfria Brasil! Ou: Contra o coletivo e a favor do indivíduo.

Como se deu a invenção da lâmpada? Thomas Edison, com o objetivo de fazer luz a partir da energia elétrica, trabalhou bastante e, após milhares de tentativas, encontrou um filamento certo. As grandes invenções, que mudam nossas vidas, sempre parecem acontecer desta forma: um indivíduo se propõe um desafio, através de estudo e trabalho ele consegue vencer o desafio e então sua invenção pode ser utilizada por todos. Na maioria das vezes podemos atribuir invenções a uma só pessoa, porque é sempre um indivíduo que dá o passo inicial, que faz a proposta de desafio a si mesmo e usa os meios para solucionar o problema que ele mesmo elaborou.

Thomas Edison e sua invenção
Inventos sempre são obras do trabalho individual. Que depois são massificados conforme sua originalidade e relevância. Isto é a realidade antes, hoje e sempre: o esforço individual é o motor da invenção e o combustível é a relevância do que é inventado. Esta relevância, que é medida pelo indivíduo que cria, é calculada em função dele mesmo ou dos outros? Será que Thomas Edison só estava pensando em criar algo relevante aos outros e assim ganhar dinheiro? O quanto a resolução do problema proposto por ele mesmo o motivou mais que a possibilidade de solucionar um problema comum aos outros? Estas questões só o Thomas poderia nos responder, mas é certo que tudo que é feito para ser seu é mais bem trabalhado, tem mais da alma de quem fez, do que algo feito para ser crédito de outro ou de um grupo.

A necessidade de massificação das criações parece justificar tudo. A régua para medir qualidade é a do que vende mais. Até aí, tudo bem. O problema é o nível cultural da população, que parece que só piora. Com pessoas tão sem cultura, rareia a quantidade de pessoas que dão importância a algo feito para durar. A tendência passa a ser criar focando na aceitação instantânea das massas. O efêmero ganha contornos de eterno. Na cultura temos inúmeros exemplos deste fenômeno. Nunca mais tivemos um escritor do nível de Graciliano Ramos. Os atuais fenômenos culturais nascem e morrem sem deixar vestígios. O período para que surja algo bom e feito para durar só aumenta e a causa disto é o aumento da burrice brasileira. Sim, estamos emburrecendo. O analfabetismo está aumentando. Quase 50% dos nossos universitários são analfabetos funcionais. Os assuntos mais pesquisados no Google no Brasil em 2013 foram: BBB 13, Telexfree, Salve Jorge, MC Daleste, A Fazenda, Amor à Vida e BBom. Um autêntico certificado de idiotice. Colocaram na cabeça deste pessoal que educação é só um direito e os fazem esquecer-se do dever de estudar. Este imenso contingente de idiotas fazem morrer possíveis bons inventos. As criações feitas com alma deixam de ter oportunidade de existir, não só pela falta de gente criativa, mas também pela falta de gente interessada em consumir algo bom.

Mas o que é bom está por aí. Em algum lugar muito bem escondido. Quem tem juízo consegue minerar o que é bom. Mas somos sempre obrigados a voltar ao passado, pois o que é novo e é realmente bom está sofrendo um processo de extinção. O dinheiro que iria ser investido em algo feito com alma, é jogado em algo sem alma, mas com garantia de sucesso.

Poucas coisas são feitas para a eternidade e estas coisas merecem ser conservadas e estudadas para melhorias. O processo de criação deste tipo de coisa motiva o indivíduo a estudar o seu passado, trabalhando no presente para mudar o futuro. Não é um empreendimento desmedido em mudar o futuro esquecendo-se do passado, sendo levado por uma massa de pessoas que se dizem bem intencionada, mas que realmente só estão em um processo de histeria. Uma histeria que não deixa que cada indivíduo possa se concentrar para discernir o certo do errado, o que é bom do que é ruim, o belo do feio. Esta histeria não aceita que o indivíduo se aprofunde para encontrar a sua vocação. Com isto se forma um monte de cagões sem convicções próprias, que se submetem a qualquer opinião defendida por um grupo histérico de pessoas.

A histeria desta massa redunda no declínio da nossa cultura, que também afeta o que somos ou desejamos ser, nos limitando. Passamos a buscar patamares, que mesmo altos (não por ser aceitos por todos como alto, mas por considerarmos alto), quando chegamos lá, nós vemos patinando neste patamar, sem possibilidade de crescimento sem rompimento. O declínio da nossa cultura não é a única coisa que preocupa. A própria verdade passa a ser afetada, já que se algo tem aceitação de todos, passa a ser o correto para todos. O relativismo moral domina a opinião brasileira, que não entende quem segue uma moral absoluta. A "lógica" da revolução, que é hegemônica no Brasil, ganha força a cada dia. Não existe o certo e errado, mas a favor ou contra o partido. Quem não é petista, é logo tomado como tucano. Pouca gente pode ser considerada independente e livre para pensar. Não se acredita que existam pessoas que estejam primariamente intencionados pela busca da verdade e não em se inserir em grupos.

A busca de inserção em grupos é interessante para dissolver a culpa dos nossos atos. Nossa covardia em assumir aquilo que pensamos ou fazemos nos incentiva a se manter em grupo. Nossa preguiça de pensar e de defender o que pensamos, nos faz buscar grupos com um controle forte sobre o que os seus associados devem pensar. E finalmente, nossa vigarice em aceitar uma verdade que possa nos colocar contra o grupo, nos mantém no grupo. Se eu sou petista, eu devo desenvolver vejafobia, não posso acreditar em nada que a Veja escreve sobre o mensalão, por mais provas que existam. Este pessoal vira um cavalo com viseira bem posta pelo grupo. Existe uma cegueira daqueles que acham que tudo é sectarismo e simplificam os seres humanos como participantes dos grupos em que estejam envolvidos, os atribuindo todos os seus preconceitos sobre o grupo.

Boa parte destes grupos, com a decadência de nossa cultura, rejeita a visão de uma elite, que poderia nortear melhoras. Existe um culto a mediocridade, que coloca o funk da favela no mesmo nível de um Bach. A noção de que só existem culturas diferentes vem da inveja. Com inveja, você despreza o que é melhor e quer colocar algo pior no lugar.

Exemplo de decadência cultural. Quem é maior: Mestre Graça ou Chico Buarque? Vão exemplos de produção literária de cada um: A morte da cachorra Baleia, em Vidas Secas ou o poema Querido Diário de Chico, com menção a mulher sem orifício. 















Grupos com visão diferente, formados por conservadores e liberais, que aceitam a elite como o que há de mais valorizado e de melhor qualidade em um grupo social, preferem não divergir e se entregam a espiral do silêncio observada por Elisabeth Noelle-Neumann. Ficam calados ou só desprezam a opinião dominante, sem combater com o seu julgamento pessoal. Com o tempo, qualquer opinião dominante passa a ser aceita até por quem era contrário a ela. O resultado disto é uma geração de pessoas superficiais e não atuantes. No Brasil, parece que algo só acontece porque todos estão de repente preocupados com algo. Aí surgem soluções feitas na pressa e só para parecer que estamos preocupados, mas a realidade é que não estamos nem aí. A importância só reside em parecer preocupado, parecer ser do bem. Mas um esforço para encontrar uma solução definitiva nunca é utilizado. É uma eterna "reserva de cartucho".

Câmara vota uma pancada de coisas depois dos protestos de junho de 2013, meio que sem entender o que estava acontecendo. A poeira baixou, voltou a programação normal de discussão de como ferrar com a população brasileira, com Dilma liderando pesquisas de intenção de voto. Quem foi desfilar na rua não queria mudar alguma coisa, mas sim aparecer como preocupados com a nação. E os deputados perceberam isto. Manifestantes parecem preocupados de lá, deputados parecem resolver alguma coisa de cá e estamos resolvidos.
Mas o que fazer? A solução é cada um usar a educação para crescer interiormente, se superar e não somente como instrumento para ganhar dinheiro. Se você tem filhos, mantenha seus filhos cientes do dever de se educar. Se você prefere pagar a prestação de um carro do ano ao invés de comprar livros para seus filhos, saiba que são pessoas como você que estão ferrando com o Brasil. Não basta colocar o filho na melhor escola que você pode pagar e achar que a missão está cumprida. O ator primário responsável pela burrice do povo brasileiro é o próprio aluno e sua falta de compromisso com o estudo. Mas não podemos esquecer que os professores já foram alunos no Brasil. Nossos professores são terrivelmente ruins e o aluno precisa ter ciência disto, com a ressalva de manter o respeito com seus mestres. Os alunos precisam ter acesso direto aos livros e praticarem individualmente a busca da verdade.

Aqui vai conselho também para outro grupo, que também ferra com o Brasil, que são aqueles que vão à eleição votar na quadrilha do PT. Mises já demonstrou claramente a impossibilidade de uma economia socialista. Só seguir a lógica: se estatiza toda a economia, acaba o livre mercado, se não tem mercado as coisas não têm preço, portanto não é possível fazer cálculo de preço e sem cálculo de preço não tem economia planificada. Sem economia planificada não tem socialismo. O livre mercado nunca deixará de existir e isto é bom, pois ele promove o Estado de direito. No capitalismo, não precisamos nos preocupar se as pessoas nascem boas ou más, nem se a sociedade às corrompem. Não importa. Se elas praticam o mal, elas dançam. O livre mercado empurra a sociedade para praticar o bem, visando uma recompensa. Então, petralhas, pelo menos busquem se encaixar no pensamento de Keynes, que para nós direitistas também foi um idiota, mas é um defensor menos pior do mais Estado. Parem de defender a ditadura cubana e Che Guevara, revolucionário que sozinho matou mais que a ditadura brasileira. Mantenham a discussão entre mais ou menos Estado. Já temos o saldo de um cinegrafista morto por esta histeria revolucionária de grupo. É preciso esfriar para o ciclo não se fechar e um novo golpe militar aconteça. Nós, liberais e conservadores, também não queremos isto.

Leu Mises e continua comunista? Ou você é muito vigarista ou muito burro.
O importante é cada um buscar a verdade e sua vocação. Isto é algo trabalhoso, exige a abnegação da aceitação em grupos e um trabalho individual tremendo. Mas como resultado certamente terá algo que ficará para gerações posteriores. Deixo Einstein finalizar:


sábado, 8 de junho de 2013

Em busca de uma minoria para chamar de minha. Ou não.

Eu aqui com minhas ideais, após tanta discussão sobre homossexuais, mulheres, negros, índios, etc. Pensei: e cadê a minha tribo? Tanta gente inserida em suas classes, minorias, mas cadê a minha? Estou por fora! Sentindo-me excluído e ansiando pelos afagos dados às minorias, fiz uma pequena reflexão, uma busca desconexa de uma minoria para chamar de minha. E não encontrei nenhuma tribo que realmente valha a pena fazer parte. 

O problema começa lá quando brotei no mundo. Algumas classes já bem consolidadas como minorias, já me foram impedidas no momento da minha concepção por papai e mamãe. São dois branquelos, não deu outra, nasci branquelo. Tenho orgulho de ser branco? Se sim ou não, e daí? Nada irá mudar minha condição de branco e, pensando bem, que frivolidade e idiotice a minha ostentar como um troféu a cor da minha pele, algo que ganhei sem nenhum esforço e que não é nada além da cor da minha pele. Mas qualquer negro pode ostentar a cor da pele, certo? Não sei bem por qual motivo. Seja qual for o motivo, nunca deixará de ser um motivo idiota e frívolo. Seguindo a mesma lógica, nunca mais terei a chance de ser índio ou mulher. Adeus minorias fáceis de conseguir. Só nascendo de novo!

Fundadores do Partido dos Panteras Negras. Redundou somente em um bando de criminosos.
Continuando a busca, vamos vê se me encaixo nos pobres. Mas a chance de ser pobre também me foi tirada! Meu pai, trabalhador, nunca deixou faltar comida lá em casa. Minha mãe sempre preparando leite, cuscuz, batata e ovos de manhãzinha, eu ia sempre bem nutrido para a escola. Isto também acabou com minha chance de ter uma fraca instrução. Fui alfabetizado e passei pouco tempo da minha educação básica em escola pública. Meu pai não descansou enquanto não me garantia as melhores escolas que ele podia pagar. Ele nunca comprou um carro, preferia manter a casa cheia de livros, todos bem alimentados, mensalidades da escola em dia, eu e meu irmão com uma roupinha nova e cabelo bem cortado. Minha mãe fazia marcação serrada, sempre sabia onde eu estava, o que estava fazendo e com quem. Vacilou, a havaiana trabalhava. E foi assim até minha formatura como bacharel em ciência da computação (menos a parte da havaiana). Papel na mão, minhas chances de ser pobre reduziram drasticamente. Fiquei impossibilitado de fazer parte desta classe. E se dispensam comentários porque eu não teria orgulho de ser pobre. Orgulho de ser pobre só existe no programa da Regina Casé.

A crença na "cultura da periferia" é coisa de gente com miolo mole. Link para o artigo de Reinaldo Azevedo aqui.
Então sou da elite? Esta classe tão pisada por Lula e seus asseclas, bem que poderia ser minha classe. Se o Lula não gosta, é um indicio que pode ser bom para mim. Lula nunca acusou ninguém em especial de ser das elites, então esta classe pode muito bem ser tomada para qualquer um. Amigos de Lula hoje em dia são bilionários, e até Maluf e Collor tiram foto com Lula. Pessoas que eu achava que eram da elite, mas como são amigos do Lula, não existe chance deles serem elites, pois Lula despreza a elite. Só que Lula agora também é elite. Só anda de jatinho. Agora tudo se enrolou! Como nunca teria orgulho de ser amigo do Lula, ser da elite parece algo bom. Mas Lula é da elite, e só ele com sua hipocrisia acha que não. E ainda por cima, ninguém iria me tomar como membro da elite, nem eu mesmo. Como não quero ser considerado maluco, desisto prematuramente em ser considerado da elite, apesar de achar a melhor ideia de minoria até então.

Lula e amigos. Embarcando no jatinho com Eike Batista e cumprimentando Maluf.
Homossexual? Não dá. Apesar de ainda não saber se ganhei o comportamento de ser heterossexual quando nasci ou fui influenciado por minhas experiências de vida, nunca teria orgulho de dar a bunda e de me enrolar com outro macho. Fora de questão.

Opa! Vou apelar para as categorias mais superficiais. Achei uma boa. Gordo! Sempre fui gordo, um pouco mais, ou um pouco menos. E gordos geralmente são desprezados. Agora sim! Bateu! E tenho orgulho de ser gordo? Não, nenhum orgulho. E mais uma tentativa de achar a minha minoria é rechaçada. Também sou careca. E sem nenhum orgulho de ser careca, menos uma minoria para fazer parte. Também suo muito, minhas camisas estão sempre molhadas de suor. Ninguém acha isto bonito. Eu também não. Mais uma minoria para o saco.

Já vou perdendo as esperanças de participar de uma minoria. Tá complicado achar esta classe em que possa me inserir confortavelmente. Ser um sujeito sem classe, passou a ser um incomodo. Mas vou me contentando, afinal não tive como estar inserido em uma classe só por falta de oportunidade e interesse. Nunca tive o interesse de defender as ideias que estas classes empurravam. Mas alto lá! Eu já tive oportunidade sim de estar inserido em uma classe. Melhor, eu já estive inserido em uma classe! E ainda estou. Uma só não! Várias. Já fui e sou estudante, professor, trabalhador, e já assumi tantas outras funções. Em uma destas eu devo ter orgulho de levantar a bandeira. Mas nunca me senti inserido em uma dessas classes a ponto de me achar diferente de outras pessoas. E cheguei ao ponto principal: Não sou diferente de ninguém. Minha consciência, minhas percepções, minha moral e minhas ações são diferentes, mas em matéria de ser humano, sou igual a qualquer ser humano. A classe que realmente estou inserido é a do ser humano. Minha busca chega ao fim! Não faz sentido buscar uma classe. Eu já faço parte de uma só, bem como você, e ela é a mesma.

A baboseira de Marx em dividir os seres humanos em opressores e oprimidos, e colocar toda a história da humanidade como uma série de consequências de uma luta de classes não resiste à realidade. Inteligência há em se negar isto. O conceito de várias classes é uma ilusão. Todos estamos em uma classe só, existimos da mesma maneira que qualquer outra pessoa, mas como indivíduos temos um essência diferente de qualquer um no mundo. Por culpa desta essência única, não existe uma classe que qualquer pessoa possa se inserir e concordar com todos os valores defendidos por aquela classe.

Barbudo alemão.
E mesmo assim buscamos esta ilusão de estar inseridos em classes, ou nos deixamos levar por alguma classe. A motivação para isto é a simples obtenção de recompensas. Um direito, um emprego, um título, uma amizade e até mesmo um amor. Não considero isto em todo ruim. É um meio e um fim aceitáveis. Mas se em algum ponto deixamos de lado nossa essência para seguir a ilusão de classe, e colocamos os direitos desta classe acima dos direitos individuais, isto é ruim. Muito ruim. Estamos nos deixando levar por um sentimento igual ao que produziu grandes males na humanidade. Falo do nazismo, do fascismo, do comunismo, do machismo, etc.

E não só buscamos estar inseridos em classes. Você também é cobrado a toda hora para estar inserido em uma classe. Com certeza algum desmiolado já lhe cobrou algo por você ser de alguma classe, ou ser taxado como desta classe. Isto não faz sentido, pois você só pode responder por si. Você só é de fato soberano sobre si mesmo. Você pode sentir que mais alguém é soberano sobre você. Se Este soberano for Deus, tudo bem. Se for qualquer outra pessoa, você está vivendo uma ilusão, extremamente danosa.

"Sobre si mesmo, sobre seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano" - John Stuart Mill.
Por mais que a gente admire o trabalho de formigas no formigueiro, nós só conseguimos responder seguramente por nós mesmos.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Lobão, Oswald de Andrade e Chesterton

Acabei de ler o novo livro do Lobão, Manifesto do Nada na Terra do Nunca e fui presenteado com alguns momentos prazerosos. Além de me divertir com suas histórias, tal como no dia em que ele foi garimpar ouro no interior da Amazônia, fazer uma reportagem em uma festa sertaneja, etc, descobri que Tom Zé foi revelado internacionalmente por David Byrne do Talking Heads, uma de minhas bandas favoritas! Mas uma ideia lá apresentada prendeu bastante a minha atenção. Ela não é do próprio Lobão, mas sim de Oswald de Andrade. Lobão escreve, sobre as ideias de Oswald:
Oswald escreve: o trabalho é fruto do homem inferior, pois o ócio é tudo que o ser humano deseja.

O homem que habita regiões temperadas, que enfrenta as intempéries da natureza, seria forçado a perder seu precioso tempo inventando tecnologias para sobreviver ao rigor do clima e à inclemência das calamidades naturais, enquanto o homem equatorial, como estivesse sendo cultivado no útero do mundo, aproveitaria a superioridade existencial para desfrutar 100% do ócio. O tipo de ser que não nasce: estreia.

Esse ser superior nunca teria a menor necessidade de entabular grandes empreendimentos, vivendo num feliz matriarcado primitivo, em que ninguém tinha muita vontade de saber quem é pai de quem, numa comunhão tribal cósmica e se alimentando de seus inimigos, que eventualmente, eram cozinhados e deglutidos com toda a cerimônia pela tribo

Ao ler isto, tive dois estalos. Em um estalo, lembrei de como o que somos pode ser explicado pela geografia, lembrei de Ian Morris e seu determinismo geográfico, sua afirmação que me parece extremamente verdadeira: "A geografia sempre vence". Ele próprio resume seu pensamento desta maneira:
a geografia "[...] molda a história, mas mas não de maneira óbvia: determina por que sociedades em algumas partes do mundo se desenvolvem tão mais rápido do que outras; mas, ao mesmo tempo, o grau em que as sociedades se desenvolveram determina o peso da geografia". Como exemplo, ele cita a posição da Grã-Bretanha no Oceano Atlântico, a qual manteve os povos dessas ilhas atrasados em relação às civilizações que floresceram com base na agricultura há 4 mil anos, mas representou uma enorme vantagem do século XVII em diante, por ampliar o raio de ação da marinha britânica.
Oswald ingenuamente considera o nosso "matriarcado da natureza", uma grande vantagem em relação às outras nações, mas na realidade, é o contrário que acontece. Os países das regiões temperadas possuíam mais necessidade de pensar e criar, então progrediram mais, trazendo mais conforto e lazer para a sua sociedade. Mesmo Oswald sendo contemporâneo de Bertrand Russel, também apreciador do ócio, seus pensamentos divergem. Quando Russel escreve: 
A técnica moderna tornou possível que o lazer, dentro de certos limites, não seja uma prerrogativa de uma pequena classe privilegiada, mas um direito distribuído eqüanimemente pela comunidade. A moral do trabalho é a moral de escravos, e o mundo moderno não precisa da escravidão.
Russel já vislumbra uma saída da moral dos escravos, em um caminho que passa por menos trabalho e não o total repúdio à labuta. Russel sabia que sem trabalho todos morreremos. O problema está em colocar o trabalho no centro de tudo. Como aqui no Brasil fomos premiados, de maneira geral, com uma farta e bondosa natureza, teríamos encontrado o atalho para a ociosidade. Já progredimos o bastante para saber que não é bem assim. Mas ainda devemos ter uma das populações mais preguiçosas de todo o mundo, em parte, culpa da ideia furada do matriarcado da natureza e exaltação excessiva do ócio. Oswald, como bem observado por Lobão, se vivesse hoje, teria uma decepção com o povo brasileiro.

O equilíbrio do trabalho e ócio passa por ideias de um outro pensador, do século XIX. Falo de John Stuart Mill e seu utilitarismo. A ideia é básica: devemos trabalhar de maneira a maximar a nossa felicidade e a felicidade do próximo. É uma ideia aplicada até na área de Inteligência Artificial, na forma como os sistemas multiagentes devem funcionar. E isto se ajusta muito bem para os seres humanos. Na realidade o capitalismo, até que faz isto funcionar, mais de uma maneira ainda longe de ser perfeita. Eu acredito que uma sintonia fina do capitalismo, o utilitarismo e consolidação da cidadania é a saída para acabar com muitas mazelas neste nosso mundo, mas aqui não irei mais me aprofundar nesta questão.  


Meu outro estalo está menos relacionado com geografia, e mais com o tal matriarcado da natureza. Lembrei de Chesterton, no seu genial livro Ortodoxia e o que ele pensava sobre a natureza: a natureza é uma irmã do ser humano, não uma mãe. Oswald acreditava no matriarcado da natureza e ainda hoje muitos ecochatos pensam desta maneira. Chesterton desmonta todo este pensamento:
A essência de todo o panteísmo, do evolucionismo e da religião cósmica moderna está nesta proposição: a Natureza é nossa mãe. Infelizmente para você, todas as vezes que olhar a Natureza como mãe, descobrirá que ela é madrasta. O ponto principal do cristianismo é precisamente este: a Natureza não é nossa mãe, a Natureza é nossa irmã. Nós podemos nos orgulhar de sua beleza porque temos o mesmo pai, mas não podemos aceitar sua autoridade sobre nós. Devemos admirá-la, mas não imitá-la. E é isto que dá, ao típico prazer cristão nesta terra, um toque de estranha leveza que é quase uma frivolidade. A natureza era uma mãe solene para os adoradores de Isis e de Cybele. Foi mãe majestosa para Wordsworth e Emerson. Mas a Natureza não é solene nem majestosa para São Francisco de Assis ou para Jorge Herbert. Para São Francisco, a Natureza era irmã, e até irmãzinha: uma pobre pequena irmã dançarina de que se ria, e que amava.
A natureza existe assim como nós existimos neste universo. Precisamos dela para sobreviver, devemos querer o seu bem, mas não somos seus filhos. Não somos uma criação da natureza. Não precisamos aceitar tudo que a natureza nos impõe. Se ela nos prejudica, devemos fazer algo para nos proteger. Se vislumbramos uma possibilidade para progredir, explorando a natureza de maneira sustentável, assim devemos fazer. Não existe pecado nisto.

Gilbert Keith Chesterton, conhecido como G. K. Chesterton, foi um escritor, poeta, narrador, ensaísta, jornalista, historiador, biógrafo, teólogo, filósofo, desenhista e conferencista britânico.
G. K. Chesterton
Chesterton era um grande frasista. Finalizo a postagem com algumas frases dele que acho profundas e extremamente inteligentes:
O que é chamado matriarcado é, simplesmente, anarquia moral, na qual as mães ficam sozinhas porque todos os pais são fugitivos ou irresponsáveis.
A decoração do mundo não é trabalho da natureza, mas um trabalho de arte, assim, ele envolve um artista.
Propriamente falando, é claro, não existe tal coisa como uma volta à natureza, porque não uma tal coisa como uma saída dela. A frase lembra um cavalheiro, levemente embriagado, que se levanta na sua própria sala de jantar e declara, firmemente, que está indo para casa.
O progresso deve significar que estamos sempre mudando o mundo para adequá-lo à nossa visão, ao invés de sempre mudarmos a nossa visão.
Não se deleite consigo mesmo. Deleite-se com a dança, com peças teatrais, com passeios de automóveis, com champagne e com ostras; deleite-se com jazz, com cocktails e com boates, se você não se diverte com nada melhor; deleite-se com a bigamia, com o roubo ou com outro crime qualquer; mas nunca se deleite consigo próprio.
Essa é a emocionante aventura da ortodoxia. As pessoas adquiriram o tolo costume de falar de ortodoxia como algo pesado, enfadonho e seguro. Nunca houve nada tão perigoso ou tão estimulante como a ortodoxia. Ela foi a sensatez, e ser sensato é mais dramático que ser louco. Ela foi o equilíbrio de um homem por trás de cavalos em louca disparada, parecendo abaixar-se para este lado, depois para aquele, mas em cada atitude mantendo a graça de uma escultura e a precisão da aritmética.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Resident Evil Revelations e Metro Last Night

Jogos! Muitos jogos! Neste blog vocês irão me ver falando sobre vários jogos, que jogo pela Steam, no meu Xbox 360, no meu PS3, ou via emuladores e piratas no meu PC. Querendo conhecer um pouco mais sobre minha reputação no mundo dos games, dá uma passada no meu perfil do raptr

Jogo desde a geração do Super Nintendo. Meu primeiro game jogado foi o Doom Troopers :


E deste então, nunca mais parei, segui jogando Mortal Kombat, Resident Evil, Final Fantasy, Metal Gear Solid, Grand Theft Auto, Bioshock, Dark Souls... e cá estou. No meio do caminho, muito do meu tempo foi gasto com a emulação de jogos dos consoles, no PC e na série Final Fantasy. Cheguei a manter dois websites, os agora falecidos Portal Roms e o Portal Final Fantasy. Entreguei parte do conteúdo ao site Final Fantasy Brasil, e fiz alguns saves hospedados na GameFaqs.

Voltando ao presente, os últimos jogados por mim foram Resident Evil Revelations e Metro Last Night.



Resident Evil: Revelations é somente um port de um RE já lançado no começo de 2012 para o 3DS. Como não tenho um 3DS, este era o único RE que não havia jogado até então. Deu para descobrir de onde o Resident Evil 6 foi baseado. Aqui também temos 6 personagens, com enredos diferentes, que se cruzam durante o jogo. A jogabilidade é parecida com a do RE6. Mas existe pouco terreno para você explorar. Você vai e volta no mesmo cenário, geralmente o barco. Isto era legal de se fazer nos tempos do Resident Evil de Playstation, pois estávamos em uma mansão onde o perigo espreitava em cada canto, com vários mistérios. Esta não é a sensação passada no RE Revelations. Os monstros até que são bem feios. Um dos chefes (parecido com o da imagem acima) até fala, e de uma forma sinistra! Dá para lembrar um pouco os monstros de um Silent Hill. Mas nada de zumbis! Jogo bom, mas nem tanto.


Agora o Metro: Last Night é top! O jogo é curto, uma desvantagem, mas indica que eu não queria que tivesse acabado tão cedo. Poderia jogar mais! O clima do jogo é incrível. Dentro do metrô, tudo parece perigoso, escuro, apertado. E quando você vai a campo aberto, alívio? Nada disto. Lá fora é uma selva radioativa, com tempestades, monstros. E você só pode ficar fora do metrô utilizando uma máscara, mantida por filtros de ar que acabam em pouco tempo. Ainda por cima, sua máscara pode quebrar, sujar, dificultando sua visão. Um jogo que trouxe algo de novo, sobre um tema bastante batido: cenários pós-apocalíticos. E consegue fazer isto muito bem. O melhor jogo com esta temática desde o Fallout 3. Os elementos de survival horror funcionam. Seus companheiros durante esta jornada são bem carismáticos. Um ótimo jogo, melhor até então, neste ano, só o Bioshock Infinite.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Apresentação

Olá! Estou criando um blog para deixar registrado o que se passa pela minha cabeça sobre as coisas que faço, leio, assisto, ouço, jogo, etc. Pretendo escrever opiniões sobre qualquer coisa, com um único objetivo, bem despretensioso: manter minha mente ativa; e só. Se servir para mais alguém, que bom. Normalmente irei buscar discordar. Prevejo que as concordâncias e elogios expostos neste blog serão poucos.